Falta-me o ar dos pulmões
Sinto tua figura se aproximar
Aonde queres ir?
Perturbo a inocência
Resta em mim algo
Arde, mas sai logo
Isto que eu espero
Finjo, na verdade
Poxa! Será que fiz muito errado?!
Quero ir em linha reta
Agora insisto novamente
Sim; contigo.
domingo, 31 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Artigo: A INTERFERÊNCIA DAS FÁBULAS CLÁSSICAS NO LIVRO INFANTO-JUVENIL OBRAS COMPLETAS DE MONTEIRO LOBATO
Cristiano de Jesus Rosa (UFS)
Ruan Carlos Teles de Araujo (UFS)
Este estudo busca resgatar a importância das fábulas clássicas em toda larga história da Literatura, e ressaltar seu direcionamento para a literatura infanto-juvenil brasileira, baseado no livro Obras Completas de Monteiro Lobato. Com origem no Oriente, as fábulas somente tomaram maior dimensão com o grande fabulista grego Esopo, que através da oralidade, segundo Aristóteles, fez com que as fábulas clássicas conquistassem e persuadissem todo o mundo. As quais foram sofrendo modificações conforme épocas e nacionalidades, até chegar ao nosso país. Monteiro Lobato soube representar com eficiência esse gênero literário, porque além de trabalhar com cunho moralista, que já era conhecido nas fábulas, ele adicionou valores críticos e futurísticos em suas adaptações.
Palavras-chave: fábulas clássicas; literatura infanto-juvenil; Monteiro Lobato.
ABSTRACT
THE CLASSICAL FABLES`S INTERFERENCE IN THE BOOK OBRAS COMPLETAS WRITEN BY MONTEIRO LOBATO
The article`s aim is to rescue the classical fables` importance through the hole Literature`s history, and focus it on the Brazilian teenager literature, focused in the Monteiro Lobato`s book Obras Completas. With the orient as its birthplace, the fables just spread through the great Greek fable writer Esopo, who used the orality to make the fables reach all over the world. The fables had been modified time to time according to the age and nationality until arrive in our country. Monteiro Lobato knew how to represent greatly this literary genre, because beyond working in a moralist way, what had already known in fables, he added criticism and futuristic values in his adaptations.
Main Words: classical fables; teenager literature; Monteiro Lobato.
A história das fábulas clássicas pode ser divida em três momentos: o primeiro, aquele em que a moralidade constitui a parte fundamental, é o das fábulas orientais, que tem sua origem ainda não definida. Estudiosos apontam dois países de origem, Índia e China, onde as fábulas eram transmitidas oralmente. Já na Grécia, elas foram exaltadas por Esopo (séculos VII e VI a.C.), considerado o pai das fábulas. A partir deste momento as fábulas começaram a ser transmitidas de forma escrita em prosa e verso.
O segundo momento se inicia com as inovações formais de Fedro (15 a.C. – 50 d.C.), fabulista latino. A este é atribuído o mérito de ter fixado a forma literária ao gênero, o que garante para ele um lugar na poesia. As histórias versificadas de Fedro são sátiras amargas, baseadas nos modelos de Esopo.
Já o terceiro momento inclui todos os fabulistas modernos, dos quais Jean de La Fontaine (1621 – 1695) é considerado o mestre. Sua maior colaboração foi ter feito desse gênero um pequeno teatro. Segundo ele, “uma comédia em cem atos” e “uma pintura em que cada um de nós pode encontrar seu retrato”.
Bocage, em Portugal, publicou fábulas originais, e em versos, traduziu La Fontaine. Após Bocage, Garret publicou Fábulas e Contos (1853), e no século XX, surgiram as Fábulas (1955) de Cabral do Nascimento. No Brasil, destacou-se Monteiro Lobato, que inspirou-se no folclore e na literatura oral para difundir essa manifestação literária em nosso país.
A principio no Brasil, a fábula tinha como alvo o público adulto. Logo foi redirecionada para as crianças e os jovens com as adaptações feitas por Monteiro Lobato em seu livro Obras Completas, no qual deu nova roupagem às fábulas de Esopo e La Fontaine, trazendo-as para a realidade do seu país e época.
Monteiro Lobato, implantou no país a literatura infanto-juvenil, com sua forma única de mostrar a realidade humana. Também acrescentou a importância da literatura no processo social, o livro como meio eficaz de modificar a percepção que confere ao leitor um lugar de importância em seu mundo ficcional.
Em Obras Completas, Lobato fez menções das famosas fábulas clássicas, criou outras e se baseou naquelas em suas demais histórias infantis. Com uma nova visão sobre a moral dessas fábulas, sendo esta o valor ao conhecimento, a esperteza do ser humano, e a valorização da inteligência tão presente nos personagens humanificados, como são observados nas animações próprias do escritor, a boneca de pano Emília, o porco Rabicó, entre outros.
O pai da literatura infanto-juvenil brasileira soube adaptar de forma perfeita as fábulas clássicas, sendo que estas não perderam sua originalidade, ou seja, a idéia base que rege a estrutura moralista implícita desse gênero textual. O autor ainda usou humor nas narrativas como mais um atrativo. Vejamos então, a evolução nas versões da fábula “A cigarra e as formigas”:
Agora vejamos a evolução da fábula “O velho e a morte”, conhecida também como “A morte e o lenhador”:
Nas comparações entre as fábulas acima, podemos observar uma facilitação na linguagem e na descrição do ambiente, personagens e ações. Fica notória também a maior margem de interpretações nas obras de Lobato, que dá maior vivacidade aos personagens, torna o ambiente mais atrativo e dinâmico, aproximando as fábulas, de maneira crítica e futurística, às crianças leitoras.
Segundo o estudioso Umberto Eco, as Fábulas como um texto narrativo podem ser classificadas em textos fechados, que tem seu conteúdo claramente exposto ao leitor sem margem a interpretação pessoal, ou abertos, os que necessitam desta interpretação pessoal. Assim, não deixando a teoria levantada por Aristóteles sobre a arte de persuadir encontrada nas fábulas.
Em relação à moralidade, percebemos que não há fuga nos contextos, já que todas as versões nos remetem ao mesmo significado, ou seja, a visão da sociedade vigente sobre determinado tema. Como, por exemplo, na fábula “A morte e o lenhador” vemos que por mais que a vida seja infeliz, o homem não quer livrar-se dela.
Na antiguidade, a moral das fábulas era de extrema importância, pois se valia mais do que a própria narrativa, tanto que esta era escrita em cor diferenciada do restante do texto, ora vermelha, ora dourada. Isto era uma forma de mostrar o verdadeiro referencial que se submetia o cunho moralista.
A fábula como gênero textual, era proferida através da oralidade, e assim foi passada de geração para geração, posteriormente sendo escrita de acordo com a necessidade do meio. Por isso que apesar da semelhança entre as várias versões, sempre existirá uma diferença, ou seja, a necessidade do autor em passar os verdadeiros anseios implícitos na sociedade contemporânea. La Fontaine refere-se a esta necessidade quando diz: “Sirvo-me dos animais para instruir os homens...”; pois, supõe-se que naquele momento os leitores aceitavam ser instruídos por personagens animais com maior facilidade. Era a forma de persuasão encontrada pelo fabulista para atingir seu alvo.
As fábulas são um gênero literário importantíssimo na história da sociedade, sendo hoje pouco explorado pelo público adulto e aproveitado pelas produções contemporâneas infanto-juvenis.
Monteiro Lobato, com seu jeito singular de escrever, intelectual desde cedo, aproveitou o estilo da personificação encontrado nas fábulas para dar uma nova concepção de moralidade para a sociedade de sua época, de maneira que não ficasse clara totalmente essa suposta vontade individual do escritor. Além disso, é possível examinar, nas ilustres Obras Completas do literato brasileiro, artifícios já antigos que personificam animais e coisas, atribuindo-lhes vontades e características próprias de seres humanos. Como mostram seus personagens: a boneca de pano Emília, o sabugo de milho Visconde de Sabugosa, o porco Rabicó, o jacaré fêmea Cuca entre outros. Supostamente, a boneca, o porco, o sabugo e o jacaré são personagens descomprometidos com a sociedade, então para esses seres não existe a questão de “papas na língua”. Sendo assim, fica muito fácil dar alfinetadas na sociedade através dessas animações.
REFERÊNCIAS
CADEMARTORI, Lígia. O que é literatura infantil. 6ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.
CAVALHEIRO, Edgard. Monteiro Lobato – Vida e Obra. Edição da Companhia Distribuidora de Livros. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1955.
ECO, Umberto. Lector in Fabula – A cooperação interpretativa nos textos narrativos. São Paulo: Perspectiva, 1986.
ESOPO. Fábulas. 2ª ed. São Paulo: Martin Claret, 2009.
LA FONTAINE, Jean. Fábulas de La Fontaine – Volume I. São Paulo: Escala, s.d.p.
LOBATO, Monteiro. Obras Completas. 13ª ed. São Paulo: Brasiliense, s.d.p.
GRANDE ENCICLOPÉDIA BARSA. 3ª ed. São Paulo: Barsa Planeta Internacional Ltda., 2005.
Ruan Carlos Teles de Araujo (UFS)
Este estudo busca resgatar a importância das fábulas clássicas em toda larga história da Literatura, e ressaltar seu direcionamento para a literatura infanto-juvenil brasileira, baseado no livro Obras Completas de Monteiro Lobato. Com origem no Oriente, as fábulas somente tomaram maior dimensão com o grande fabulista grego Esopo, que através da oralidade, segundo Aristóteles, fez com que as fábulas clássicas conquistassem e persuadissem todo o mundo. As quais foram sofrendo modificações conforme épocas e nacionalidades, até chegar ao nosso país. Monteiro Lobato soube representar com eficiência esse gênero literário, porque além de trabalhar com cunho moralista, que já era conhecido nas fábulas, ele adicionou valores críticos e futurísticos em suas adaptações.
Palavras-chave: fábulas clássicas; literatura infanto-juvenil; Monteiro Lobato.
ABSTRACT
THE CLASSICAL FABLES`S INTERFERENCE IN THE BOOK OBRAS COMPLETAS WRITEN BY MONTEIRO LOBATO
The article`s aim is to rescue the classical fables` importance through the hole Literature`s history, and focus it on the Brazilian teenager literature, focused in the Monteiro Lobato`s book Obras Completas. With the orient as its birthplace, the fables just spread through the great Greek fable writer Esopo, who used the orality to make the fables reach all over the world. The fables had been modified time to time according to the age and nationality until arrive in our country. Monteiro Lobato knew how to represent greatly this literary genre, because beyond working in a moralist way, what had already known in fables, he added criticism and futuristic values in his adaptations.
Main Words: classical fables; teenager literature; Monteiro Lobato.
A história das fábulas clássicas pode ser divida em três momentos: o primeiro, aquele em que a moralidade constitui a parte fundamental, é o das fábulas orientais, que tem sua origem ainda não definida. Estudiosos apontam dois países de origem, Índia e China, onde as fábulas eram transmitidas oralmente. Já na Grécia, elas foram exaltadas por Esopo (séculos VII e VI a.C.), considerado o pai das fábulas. A partir deste momento as fábulas começaram a ser transmitidas de forma escrita em prosa e verso.
O segundo momento se inicia com as inovações formais de Fedro (15 a.C. – 50 d.C.), fabulista latino. A este é atribuído o mérito de ter fixado a forma literária ao gênero, o que garante para ele um lugar na poesia. As histórias versificadas de Fedro são sátiras amargas, baseadas nos modelos de Esopo.
Já o terceiro momento inclui todos os fabulistas modernos, dos quais Jean de La Fontaine (1621 – 1695) é considerado o mestre. Sua maior colaboração foi ter feito desse gênero um pequeno teatro. Segundo ele, “uma comédia em cem atos” e “uma pintura em que cada um de nós pode encontrar seu retrato”.
Bocage, em Portugal, publicou fábulas originais, e em versos, traduziu La Fontaine. Após Bocage, Garret publicou Fábulas e Contos (1853), e no século XX, surgiram as Fábulas (1955) de Cabral do Nascimento. No Brasil, destacou-se Monteiro Lobato, que inspirou-se no folclore e na literatura oral para difundir essa manifestação literária em nosso país.
A fábula é uma narrativa curta, de fundo didático, que encerra alguma lição de moral e ensinamento útil, a qual nasceu com a própria civilização e foi transmitida através de séculos e gerações pela oralidade; a fábula usa animais falantes e elementos naturais para representar alegoricamente as virtudes, traços de caráter e vicissitudes do homem, próprios de sua natureza e independentes da época, cultura e classe social, daí ser encontrada em todas as culturas e períodos históricos. (LA FONTAINE, s.d.p., p. 6)
A principio no Brasil, a fábula tinha como alvo o público adulto. Logo foi redirecionada para as crianças e os jovens com as adaptações feitas por Monteiro Lobato em seu livro Obras Completas, no qual deu nova roupagem às fábulas de Esopo e La Fontaine, trazendo-as para a realidade do seu país e época.
Monteiro Lobato, implantou no país a literatura infanto-juvenil, com sua forma única de mostrar a realidade humana. Também acrescentou a importância da literatura no processo social, o livro como meio eficaz de modificar a percepção que confere ao leitor um lugar de importância em seu mundo ficcional.
Em Obras Completas, Lobato fez menções das famosas fábulas clássicas, criou outras e se baseou naquelas em suas demais histórias infantis. Com uma nova visão sobre a moral dessas fábulas, sendo esta o valor ao conhecimento, a esperteza do ser humano, e a valorização da inteligência tão presente nos personagens humanificados, como são observados nas animações próprias do escritor, a boneca de pano Emília, o porco Rabicó, entre outros.
O pai da literatura infanto-juvenil brasileira soube adaptar de forma perfeita as fábulas clássicas, sendo que estas não perderam sua originalidade, ou seja, a idéia base que rege a estrutura moralista implícita desse gênero textual. O autor ainda usou humor nas narrativas como mais um atrativo. Vejamos então, a evolução nas versões da fábula “A cigarra e as formigas”:
Durante o inverno, as formigas trabalhavam para secar o grão úmido, quando uma cigarra, faminta lhes pediu algo para comer. As formigas lhe perguntaram: “por que, no verão, não reservaste também o teu alimento?”. E a cigarra respondeu: “Não tinha tempo, pois cantava, alegrando o mundo com a minha melodia”. E as formigas, rindo, disseram: “pois bem, se cantava no verão, dança agora no inverno”.
Moral: Descuidar de certos trabalhos pode trazer tristeza e faltas. (ESOPO, 2009, p. 161)
Chegou o inverno e a cigarra, morta de frio e de fome, foi bater à porta da casa da formiga, para lhe pedir algo para comer, ela que nem casa tinha para se abrigar.
Durante toda época de calor, a formiga nada mais fez do que trabalhar muito e estocar alimento para sobreviver ao duro inverno, resguardada dentro de casa.
Tanto a cigarra insistiu que a formiga foi à porta atender.
– O que você quer? – perguntou.
– Tenho fome. Aqui fora não tem mais nada para se comer. – respondeu a cigarra, tiritando.
– O que você fez durante todo verão? – perguntou a formiga à pedinte.
– Eu cantava noite e dia, toda hora! – respondeu a cigarra.
– Cantava, é? ¬– disse a formiga com desdém. – Pois agora, pode dançar!
E bateu a porta com força. (LA FONTAINE, s.d.p., p. 6)
I – A FORMIGA BOA
Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiarão pé de um formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento então era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas [...]
II – A FORMIGA MÁ
Já houve, entretanto, uma formiga má que não soube compreender a cigarra e com dureza a repeliu de sua porta [...]
Os artistas – poetas, pintores, músicos – são as cigarras da humanidade. (LOBATO, s.d.p., p. 11)
Agora vejamos a evolução da fábula “O velho e a morte”, conhecida também como “A morte e o lenhador”:
Certa vez, um velho que havia cortado madeira carregou-a nos ombros e pôs-se a andar por um longo caminho. Cansado de caminhar, deixou cair seu fardo e invocou a morte. Esta apareceu-lhe e perguntou por que ele a chamara, e o velho disse: “para que me ajudes a carregar o meu fardo”.
Moral: a fábula mostra que todo homem é amante da vida, mesmo que ela seja miserável. (ESOPO, 2009, p. 52)
Um pobre lenhador, curvado pelo peso da carga que levava e da idade, com as roupas em farrapos, caminha em passos lentos rumo a sua mísera choupana. Porém, sem aguentar mais, larga sua carga por terra, e se deita sobre ela, sentindo-se estafado e dolorido. E se põe a pensar em sua má sorte. O que conseguiu desde que veio ao mundo? Há alguém mais pobre e miserável que ele na face da Terra? O pão lhe falta muitas vezes, e o sossego, sempre: a mulher, os filhos, os impostos, os credores, a carga de trabalho formam a imagem exata de suas desditas. Chama pela morte. Ela chega imediatamente e pergunta o que pode fazer por ele. A resposta: - Por enquanto, quero que me ajudes a carregar esta lenha.
Moral: a morte pode ser a cura para todos os males, porém, estamos bem assim. Antes padecer do que morrer é o lema de todo homem. (LA FONTAINE, s.d.p., p. 34)
Um velhinho, muito velho, vivia de tirar lenha na mata. Os feixes, porém, cada vez lhe pareciam mais pesados. Tropicava com eles, quase caia, e um dia, caiu de verdade, perdeu a paciência e lamentou-se amargamente:
- Antes morrer! De que me vale a vida, se nem com esse miserável feixe posso? Vem, ó Morte, vem aliviar-me do peso dessa ida inútil. [...] (LOBATO, s.d.p., p. 25)
Nas comparações entre as fábulas acima, podemos observar uma facilitação na linguagem e na descrição do ambiente, personagens e ações. Fica notória também a maior margem de interpretações nas obras de Lobato, que dá maior vivacidade aos personagens, torna o ambiente mais atrativo e dinâmico, aproximando as fábulas, de maneira crítica e futurística, às crianças leitoras.
Segundo o estudioso Umberto Eco, as Fábulas como um texto narrativo podem ser classificadas em textos fechados, que tem seu conteúdo claramente exposto ao leitor sem margem a interpretação pessoal, ou abertos, os que necessitam desta interpretação pessoal. Assim, não deixando a teoria levantada por Aristóteles sobre a arte de persuadir encontrada nas fábulas.
Em relação à moralidade, percebemos que não há fuga nos contextos, já que todas as versões nos remetem ao mesmo significado, ou seja, a visão da sociedade vigente sobre determinado tema. Como, por exemplo, na fábula “A morte e o lenhador” vemos que por mais que a vida seja infeliz, o homem não quer livrar-se dela.
Na antiguidade, a moral das fábulas era de extrema importância, pois se valia mais do que a própria narrativa, tanto que esta era escrita em cor diferenciada do restante do texto, ora vermelha, ora dourada. Isto era uma forma de mostrar o verdadeiro referencial que se submetia o cunho moralista.
A fábula como gênero textual, era proferida através da oralidade, e assim foi passada de geração para geração, posteriormente sendo escrita de acordo com a necessidade do meio. Por isso que apesar da semelhança entre as várias versões, sempre existirá uma diferença, ou seja, a necessidade do autor em passar os verdadeiros anseios implícitos na sociedade contemporânea. La Fontaine refere-se a esta necessidade quando diz: “Sirvo-me dos animais para instruir os homens...”; pois, supõe-se que naquele momento os leitores aceitavam ser instruídos por personagens animais com maior facilidade. Era a forma de persuasão encontrada pelo fabulista para atingir seu alvo.
As fábulas são um gênero literário importantíssimo na história da sociedade, sendo hoje pouco explorado pelo público adulto e aproveitado pelas produções contemporâneas infanto-juvenis.
Monteiro Lobato, com seu jeito singular de escrever, intelectual desde cedo, aproveitou o estilo da personificação encontrado nas fábulas para dar uma nova concepção de moralidade para a sociedade de sua época, de maneira que não ficasse clara totalmente essa suposta vontade individual do escritor. Além disso, é possível examinar, nas ilustres Obras Completas do literato brasileiro, artifícios já antigos que personificam animais e coisas, atribuindo-lhes vontades e características próprias de seres humanos. Como mostram seus personagens: a boneca de pano Emília, o sabugo de milho Visconde de Sabugosa, o porco Rabicó, o jacaré fêmea Cuca entre outros. Supostamente, a boneca, o porco, o sabugo e o jacaré são personagens descomprometidos com a sociedade, então para esses seres não existe a questão de “papas na língua”. Sendo assim, fica muito fácil dar alfinetadas na sociedade através dessas animações.
REFERÊNCIAS
CADEMARTORI, Lígia. O que é literatura infantil. 6ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.
CAVALHEIRO, Edgard. Monteiro Lobato – Vida e Obra. Edição da Companhia Distribuidora de Livros. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1955.
ECO, Umberto. Lector in Fabula – A cooperação interpretativa nos textos narrativos. São Paulo: Perspectiva, 1986.
ESOPO. Fábulas. 2ª ed. São Paulo: Martin Claret, 2009.
LA FONTAINE, Jean. Fábulas de La Fontaine – Volume I. São Paulo: Escala, s.d.p.
LOBATO, Monteiro. Obras Completas. 13ª ed. São Paulo: Brasiliense, s.d.p.
GRANDE ENCICLOPÉDIA BARSA. 3ª ed. São Paulo: Barsa Planeta Internacional Ltda., 2005.
LACUNA NOTURNA
Como queria, meu Deus
Borrar esta vida e acender outra
Encontrar um elo perdido qualquer
Livrando-me dos pensamentos exacerbados
Pintaria uma casa e uma profissão
Sem sequer fazer correlação
Com a preciosidade daquele mirar.
(Ruan Carlos Teles)
Borrar esta vida e acender outra
Encontrar um elo perdido qualquer
Livrando-me dos pensamentos exacerbados
Pintaria uma casa e uma profissão
Sem sequer fazer correlação
Com a preciosidade daquele mirar.
(Ruan Carlos Teles)
sábado, 4 de outubro de 2008
O que é a Filosofia?
O homem já nasce com uma visão filosófica do mundo, porém essa visão se apaga com o tempo, e raramente ele se pergunta novamente o que seria a filosofia. Sendo que quando se é perguntado, vem logo uma resposta equivocada de que filosofia é a arte de formar, de inventar, de fabricar conceitos.
Não podemos dizer que filosofia é arte, pois não cabe a arte criar conceitos, e sim criação sobre a sensibilidade do ser.
A Filosofia nasceu entre a amizade dos gregos com a sabedoria, numa atmosfera livre, onde estes gozavam de liberdade. Assim, eles levantavam questões abertas, procurando a sabedoria, diferentemente dos antigos sábios, que achavam que a possuía.
O filósofo é o amigo do conceito, ele é conceito em potência. E criar conceitos sempre novos é o papel da filosofia. Então, os amigos (filósofos) devem desconfiar sempre dos conceitos que lhes são ditos, desde que ele mesmo não os criou.
Como conceitos sempre são criados, renovados, substituídos. Sempre existirão novos personagens conceituais, que não são reduzidos à complexidade do filósofo grego, já que estes novos exercem um papel importante na evolução da filosofia.
A filosofia é a mãe das "ciências", e somente cabe a esta criar conceitos, sendo que sem as assinaturas daqueles que os criam, não seriam nada.
Não existe uma definição concreta para a filosofia. Sabemos, ao menos, que ela não é contemplação, nem reflexão, nem comunicação. Mesmo sendo confundida muitas das vezes com essas.
Dentre as determinações da filosofia estão: conhecer-se a si mesmo, aprender a pensar, fazer como se nada fosse evidente, espantar-se.
Os conceitos que foram substituídos, de filósofos antigos, não morrem. Sempre existirão na história da filosofia.
Por mais que a exclusividade da criação de conceitos compete somente à filosofia, não é somente privilégio desta as diversas maneiras de pensar e de criar, que não são conceitos, como exemplo, o pensamento científico.
A filosofia é um conhecimento eminentemente teórico, serve para criar conceitos. E mesmo que mude seu nome, nunca deixará de existir.
A rivalidade sempre cruzou a história da filosofia. Desde os primeiros amigos, até mais recentemente com as ciências do homem, que desejavam substituir a filosofia, como a sociologia, epistemologia, lingüística, psicanálise e análise lógica.
Porém a vergonha maior para a filosofia aconteceu quando a informática, o marketing, o design, a publicidade e todas as áreas da comunicação tomaram para si a palavra conceito. Assim se autodenominando: conceituadores. Na verdade, essas áreas não criam conceitos, e sim promoções comerciais.
Então se as três idades do conceito são a enciclopédia, a pedagogia e a formação profissional comercial, só a segunda nos impede de cair, dos picos do primeiro ao desastre absoluto do terceiro, que são os benefícios sociais do ponto de vista do capitalismo universal.
(Texto de Ruan Carlos Teles de Araujo, licenciado em Letras Português - Espanhol pela Universidade Federal de Sergipe. Baseado na obra O Mundo de Sofia.)
(Texto de Ruan Carlos Teles de Araujo, licenciado em Letras Português - Espanhol pela Universidade Federal de Sergipe. Baseado na obra O Mundo de Sofia.)
sábado, 27 de setembro de 2008
Poeta latino Lucano
· A vida e ideologia
Marcus Annaeus Lucanus nasceu em Córdova, no dia 3 de novembro do ano 39 d.C.
Filho de Marco Anneo Mela, que era irmão do fiçósofo Sêneca, e Acilia, filha de Acilio Lucano.Poeta latino que educou-se em Roma e Atenas. Conheceu o êxito político e literário desde muito jovem. Porém, fez parte da conspiração de Pisão, juntamente com seu tio Sêneca, que visava derrubar Nero. Então, descobertos, foram obrigados a cortarem as veias dos pulsos; Lucano morreu dia 30 de abril do ano de 65 d.C., enquanto recitava seu poema sobre a morte de um soldado ferido, aos 26 anos.
· Época histórica
Dinastia Júlio-Claudiana (14 – 68 d.C.)
É marcada por intensos conflitos internos entre os senadores e os imperadores: Tibério, Caio, Júlio César (Calígula), Júlio-Cláudia e Nero.
Nero foi responsável pelo incêndio de Roma e pela perseguição aos Cristãos.
· As Obras
Lucano compôs muitas obras em versos que se perderam: dele resta apenas, interrompida pela morte, a obra maior, um poema épico em dez livros, sobre a guerra civil entre Pompeu e César (Bellum civile), em 48 a.C., que é, todavia, mais conhecida sob o título do episódio culminante, isto é, de Pharsalia.
Em “A Farsália”, Lucano afastou-se da tradição mitológica para dar prioridade aos fatos históricos. Nobre e retórico, o estilo do texto constitui o instrumento adequado para expressão das idéias filosóficas e morais do autor, que manifestou sua aversão a César, apresentando-o como sanguinário e sacrilégio, e sua admiração por Pompeu e seus correligionários, em quem via os campeões da república e da liberdade. Há passagens grandiosas, como a descrição da batalha no livro VII, e a morte, contudo de Pompeu no livro VIII.
Resta (-lhe) a sombra de um grande nome!
Fonte: A Farsália
Tema: Fama
César, grande em tudo, / não acreditava em nada efetivamente enquanto existisse algo por fazer
Fonte: A Farsália
Tema: Ação
Ó morte, por que não és negada aos vis, / por que não és prêmio apenas para os fortes?
Fonte: A Farsália
Tema: Morte
A grandesa precipita-se sobre si mesma: esse limite foi imposto / pelos deuses ao crescer da prosperidade
Fonte: A Farsália
Tema: Prosperidade
Lucano também, em sua obra mestre, substituiu o mecanismo dos elementos religiosos pela força do pensamento humano, com ousada inovação.
Tal tentativa teria por certo trazido uma onda de novidade à poesia, se a jovem vida de Lucano não tivesse sido cortada tragicamente: apesar disso representa uma contribuição que não passa despercebida no desenvolvimento da literatura latina.
Marcus Annaeus Lucanus nasceu em Córdova, no dia 3 de novembro do ano 39 d.C.
Filho de Marco Anneo Mela, que era irmão do fiçósofo Sêneca, e Acilia, filha de Acilio Lucano.Poeta latino que educou-se em Roma e Atenas. Conheceu o êxito político e literário desde muito jovem. Porém, fez parte da conspiração de Pisão, juntamente com seu tio Sêneca, que visava derrubar Nero. Então, descobertos, foram obrigados a cortarem as veias dos pulsos; Lucano morreu dia 30 de abril do ano de 65 d.C., enquanto recitava seu poema sobre a morte de um soldado ferido, aos 26 anos.
· Época histórica
Dinastia Júlio-Claudiana (14 – 68 d.C.)
É marcada por intensos conflitos internos entre os senadores e os imperadores: Tibério, Caio, Júlio César (Calígula), Júlio-Cláudia e Nero.
Nero foi responsável pelo incêndio de Roma e pela perseguição aos Cristãos.
· As Obras
Lucano compôs muitas obras em versos que se perderam: dele resta apenas, interrompida pela morte, a obra maior, um poema épico em dez livros, sobre a guerra civil entre Pompeu e César (Bellum civile), em 48 a.C., que é, todavia, mais conhecida sob o título do episódio culminante, isto é, de Pharsalia.
Em “A Farsália”, Lucano afastou-se da tradição mitológica para dar prioridade aos fatos históricos. Nobre e retórico, o estilo do texto constitui o instrumento adequado para expressão das idéias filosóficas e morais do autor, que manifestou sua aversão a César, apresentando-o como sanguinário e sacrilégio, e sua admiração por Pompeu e seus correligionários, em quem via os campeões da república e da liberdade. Há passagens grandiosas, como a descrição da batalha no livro VII, e a morte, contudo de Pompeu no livro VIII.
Resta (-lhe) a sombra de um grande nome!
Fonte: A Farsália
Tema: Fama
César, grande em tudo, / não acreditava em nada efetivamente enquanto existisse algo por fazer
Fonte: A Farsália
Tema: Ação
Ó morte, por que não és negada aos vis, / por que não és prêmio apenas para os fortes?
Fonte: A Farsália
Tema: Morte
A grandesa precipita-se sobre si mesma: esse limite foi imposto / pelos deuses ao crescer da prosperidade
Fonte: A Farsália
Tema: Prosperidade
Lucano também, em sua obra mestre, substituiu o mecanismo dos elementos religiosos pela força do pensamento humano, com ousada inovação.
Tal tentativa teria por certo trazido uma onda de novidade à poesia, se a jovem vida de Lucano não tivesse sido cortada tragicamente: apesar disso representa uma contribuição que não passa despercebida no desenvolvimento da literatura latina.
Ao pai da Linguística: Saussure
Podemos considerar a linguística como a ciência que estuda a forma de se comunicar, pensar e se expressar de uma sociedade, ou seja, sua linguagem.
A fala é um sistema individual. Já a linguagem é um sistema social, onde podemos citar a interação humana através da língua.
A linguística tomou certa importância a partir da década de 60 na Europa e só após as décadas de 70 e 80 foi implantada no Brasil.
Trata-se de uma ciência muito abrangente. Desde os estudos da linguagem de uma propaganda, até os estudos mais aprofundados de um texto ou comparação entre línguas, trabalhamos com a linguística.
Vemos também que a linguística vem sofrendo e ainda sofrerá mudanças com o tempo, pois, surgem novos gêneros textuais ao longo da história humana. Sendo assim, ela deve acompanhar essas evoluções.
(Breve dissertação sobre a Linguística, feita no 1º período do curso de Letras Português-Espanhol, da Universidade Federal de Sergipe, pelo aluno Ruan Carlos Teles de Araujo)
A fala é um sistema individual. Já a linguagem é um sistema social, onde podemos citar a interação humana através da língua.
A linguística tomou certa importância a partir da década de 60 na Europa e só após as décadas de 70 e 80 foi implantada no Brasil.
Trata-se de uma ciência muito abrangente. Desde os estudos da linguagem de uma propaganda, até os estudos mais aprofundados de um texto ou comparação entre línguas, trabalhamos com a linguística.
Vemos também que a linguística vem sofrendo e ainda sofrerá mudanças com o tempo, pois, surgem novos gêneros textuais ao longo da história humana. Sendo assim, ela deve acompanhar essas evoluções.
(Breve dissertação sobre a Linguística, feita no 1º período do curso de Letras Português-Espanhol, da Universidade Federal de Sergipe, pelo aluno Ruan Carlos Teles de Araujo)
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Drogas: liberar ou não liberar?
Liberar as drogas ilícitas em nosso país pode causar o aumento de contravenções. Por outro lado, é hipocrisia da sociedade esta proibição, já que existem drogas nocivas liberadas e em uso.
Um lado da sociedade defende a não liberação das drogas como a maconha, cocaína, crack, extasy. Pois, afirmam que aumentará o consumo destas, por conseguinte a elevação dos índices de violência, roubos e furtos devido os efeitos destas drogas.
A outra parte da população tem uma visão oposta a da primeira. A liberação amenizaria os atos de infração e acabaria com o tráfico. O que traria um alivio geral para a sociedade.
Existem drogas como o álcool e o tabaco que causam mais danos que as ilegais. Por exemplo, câncer de pulmão e suas variáveis em fumantes, cirrose hepática e câncer de fígado nos alcoólatras. Além dos problemas nos relacionamentos pessoais, causados pelo consumo destas substâncias.
Legalizar ou não, não é o principal. O que deve ser levado em conta é o comportamento dos que fazem uso destas substâncias e a consciência das conseqüências dos seus atos consigo mesmo e com os outros. Esta discussão só remete a um fator, usar drogas lícitas ou ilícitas tem suas conseqüências, graves por sinal, cabe a cada um decidir que caminho tomar.
Um lado da sociedade defende a não liberação das drogas como a maconha, cocaína, crack, extasy. Pois, afirmam que aumentará o consumo destas, por conseguinte a elevação dos índices de violência, roubos e furtos devido os efeitos destas drogas.
A outra parte da população tem uma visão oposta a da primeira. A liberação amenizaria os atos de infração e acabaria com o tráfico. O que traria um alivio geral para a sociedade.
Existem drogas como o álcool e o tabaco que causam mais danos que as ilegais. Por exemplo, câncer de pulmão e suas variáveis em fumantes, cirrose hepática e câncer de fígado nos alcoólatras. Além dos problemas nos relacionamentos pessoais, causados pelo consumo destas substâncias.
Legalizar ou não, não é o principal. O que deve ser levado em conta é o comportamento dos que fazem uso destas substâncias e a consciência das conseqüências dos seus atos consigo mesmo e com os outros. Esta discussão só remete a um fator, usar drogas lícitas ou ilícitas tem suas conseqüências, graves por sinal, cabe a cada um decidir que caminho tomar.
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